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22/11/2018

Desastres de 2008: o maior desafio que enfrentamos

22 de novembro de 2008, um mês chuvoso que até então acumulava quase 500 litros por metro quadrado (equivalente a uma lâmina de água de meio metro de profundidade), e já denunciava alguns deslizamentos isolados. Nem imaginávamos o que estava por vir, quando no dia 22 de novembro a chuva atingiu mais 250 litros por metro quadrado e as encostas da cidade de Joinville pareciam derreter como sorvete. Não conseguia-se sequer contar o número de deslizamentos, tamanha a extensão das avarias. Naquela época, imediatamente após a eleição municipal, portanto de transição da administração pública, a Defesa Civil de Joinville encontrava-se organizada de alguma forma, porém pouco estruturada, experimentando um grande desafio. Logo de início fomos acionados para prestar apoio técnico no diagnóstico da situação para que o município pudesse administrar a situação e atender a população atingida. Inicialmente, o atendimento foi realizado com o apoio de 10 técnicos voluntários da Ajeci – Associação Joinvilense de Engenheiros Civis que, após terem recebido um rápido treinamento pela Ad Fiducia Avaliações e Perícias, contemplando os mecanismos típicos de ocorrência dos deslizamentos e desabamentos, incluindo riscos e critérios para definição de áreas de influência, acompanhados de técnicos da Defesa Civil e de servidores públicos do município, dirigiam-se aos locais das ocorrências e efetuavam um diagnóstico prévio. De forma complementar, com apoio de aeronaves alugadas, da Polícia Militar e Civil, sobrevoávamos o município em áreas críticas a fim de identificar os locais com maior vulnerabilidade e condições de estabilidade global das encostas. Posteriormente, devido a numerosidade de chamados que, em cerca de 20 dias, superou 830 ocorrências entre deslizamentos e desabamentos, devidamente triados entre outros diversos chamados, fomos contratados para diagnosticar a situação que se instalava no município. Para tanto, desenvolvemos uma rotina técnica com base em procedimentos consagrados de diagnóstico e hierarquização de ocorrências, que contemplava procedimentos de campo, a análise de aproximadamente 100 itens por ocorrência atendida incluindo: dados do terreno, das edificações, dos mecanismos de ruptura, das alternativas de intervenção, do risco de perda de vidas e prejuízos financeiros, permitindo definir a necessidade de interdição, orientar intervenções e identificar as prioridades de atendimento pelo município. Os atendimentos nos locais das ocorrências foram atendidos por 12 equipes de técnicos habilitados, entre engenheiros e geógrafos, com diagnóstico complementar através de análises cartográficas e sobrevoos do município. Como resultado, diversas edificações foram interditadas, diversas famílias foram removidas de áreas de risco e ao final do trabalho foi gerado um relatório explicativo da situação que, acompanhado de uma relação minuciosa, identificou áreas potenciais de riscos com cada ocorrência georreferenciada, e uma tabela com dados de cada ocorrência organizada por ordem de relevância, que permitiu ao município realizar a gestão da situação. De 2008 a 2010, somamos mais de 1.300 ocorrências atendidas. Como resultado do trabalho realizado nossa maior realização foi garantir que, encerrado nosso trabalho, nenhuma vida foi perdida, mesmo diante da complexa situação enfrentada, mas da metade dos deslizamentos envolviam eventos de grande magnitude (municípios vizinhos registraram dezenas de mortes). Como aprendizado para a engenharia, podemos assegurar que nenhum dos deslizamentos ou desabamentos teria ocorrido se as normas técnicas e os conhecimentos consagrados de engenharia tivessem sido aplicados quando da construção das edificações e ocupação dos terrenos atingidos, mesmo diante da situação incomum enfrentada. Estudos realizados demonstraram que cerca de 25% das edificações atingidas haviam sido licenciadas pelo município sem, entretanto, terem sido desenvolvidos os estudos efetivamente necessários a execução das obras atingidas, com destaque para estudos de estabilidade local e global, drenagem e avaliação de solicitações, que certamente poderiam ter evitado a situação ocorrida. Até hoje o trabalho desenvolvido pela Ad Fiducia serve como referência no planejamento de atividades e identificação de vulnerabilidades no município de Joinville.


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